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Dar o meu pitaco - I

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Professor Jan Nuckowski

31/03/2026 • 2 min de leitura

Dar o meu pitaco - I

Minhas considerações sobre o amplo campo da comunicação, a partir de uma perspectiva histórica e interdisciplinar.
Ludwig Wittgenstein escreveu: os limites da minha linguagem determinam os limites do meu mundo.

Essa ideia foi interpretada da seguinte forma: se não consigo nomear algo, não o vejo. Ao ouvir essa interpretação, a maioria de nós certamente zombará – como posso não ver?

E, no entanto, sem palavras, sem linguagem, como definir um ambiente sem nome? Como se engajar na comunicação interpessoal? O título deste breve texto visa enfatizar que estou intervindo em uma área de questões muito importantes para cada um de nós, e na qual sou mais um usuário do que um pesquisador. Contudo, aconteceu que eu precisava dar, ainda que modestamente, a essas questões, abordá-las de alguma forma e expressá-las de uma maneira o mais acessível possível a qualquer pessoa interessada.
No meu caso, esses interessados eram os alunos da Academia de Belas Artes, Faculdade de Design Industrial. Mas começarei com um parêntese. Há muitos anos, os organizadores da Universidade Infantil de Cracóvia me pediram para preparar uma palestra sobre o tema O que é Comunicação Visual.

Isso me obrigou a reformular a "linguagem da palestra" e adaptá-la para alunos de 7 a 9 anos. Foi uma experiência incrivelmente esclarecedora. Também me fez questionar se seria possível explicar todos os tópicos e assuntos para uma criança de nove anos de forma que ela conseguisse manter a atenção durante uma palestra relativamente longa e, ao mesmo tempo, compreendê-la.

De qualquer forma, a partir daquele momento, passei a me esforçar ainda mais para ser cuidadoso em minhas apresentações, mesmo quando o público não era infantil. Acredito que isso não desmerece ninguém, mas me obriga a ser particularmente preciso e lógico em meus argumentos. Isso me permite alcançar um público muito mais amplo. Minhas considerações aqui se baseiam nesse princípio.

No princípio era o Verbo... e o Verbo estava com nossos ancestrais. Bem, não desde o princípio. Primeiro, havia sons inarticulados, onomatopaicos — gemidos, grunhidos e gritos — que gradualmente começaram a se associar a coisas, plantas, pessoas e situações. Eles permitiam que fossem descritos, tornando-se seus sinais. Nomes e palavras surgiram, criando gradualmente uma linguagem natural. Certamente foi um longo processo. Quanto tempo, como amadureceu até se tornar uma forma semelhante à linguagem que usamos hoje — é impossível determinar com precisão.

Esses foram os primeiros passos, um estágio de comunicação entre nossos ancestrais. Aristóteles mencionou esse fato quando escreveu: "O homem é a única criatura com fala, enquanto a voz, o órgão apropriado para emitir sons de prazer e desprazer, também é característica dos animais. No entanto, os sons animais não podem ser combinados em sílabas, nem, como a fala humana, reduzidos a sílabas."

Ao escrever e usar os termos sílabas e fala humana, Aristóteles já representava o segundo estágio significativo no desenvolvimento da comunicação interpessoal — uma criatura que utilizava a capacidade de registrar a fala. Mais sobre isso na Parte II.

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